A poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, uma reportagem publicada pelo Estadão nesta terça-feira (20) revelou que o próprio governo Lula reconheceu, em documento enviado ao Congresso Nacional, que poderá faltar dinheiro para manter as políticas públicas atuais a partir de 2028.
Segundo as projeções oficiais, a insuficiência de recursos poderá chegar a R$ 53,7 bilhões entre 2028 e 2030, considerando os limites de gastos e a manutenção das despesas previstas.
Mas existe um detalhe que chama ainda mais atenção: esses cálculos sequer incluem as novas promessas feitas por Lula durante a campanha eleitoral!
Entre os compromissos anunciados estão o reajuste do Bolsa Família, o Pix de R$ 5 mil para microempreendedores individuais (MEIs), o perdão de dívidas desses trabalhadores e o transporte público gratuito aos fins de semana.
De acordo com levantamento do Estadão, essas medidas exigirão ajustes de pelo menos R$ 39,8 bilhões somente no Orçamento de 2027.
A situação levanta dúvidas sobre a capacidade de cumprir todas as promessas sem cortes em outras áreas, aumento de receitas ou mudanças nas despesas públicas.
O próprio ministro do Planejamento, Bruno Moretti, admitiu que poderá haver bloqueio ou redução de despesas em 2027, caso as receitas previstas não sejam suficientes.
Apesar do alerta, o governo afirma que pretende reorganizar os gastos e cumprir as regras fiscais. Portanto, ainda não é possível afirmar que as promessas serão descumpridas, mas sua execução dependerá de espaço no Orçamento e, em alguns casos, de aprovação do Congresso.
A pergunta que fica é: se o próprio governo já prevê dificuldades para manter as políticas atuais, de onde sairá o dinheiro para bancar tantas novas promessas?