Flávio Bolsonaro anuncia voto a favor do fim da escala 6×1, mas defende que governo compense empresas pelos custos
Senador afirma que empresários não devem arcar sozinhos com os impactos financeiros da redução da jornada de trabalho. Proposta busca ampliar o período de descanso dos trabalhadores sem redução salarial.
O SENADOR FLÁVIO BOLSONARO (PL) anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1, modelo em que os trabalhadores cumprem seis dias de expediente para ter apenas um dia de descanso. Apesar de apoiar a mudança, o parlamentar defendeu que o governo federal assuma os custos adicionais que a redução da jornada poderá provocar para as empresas.
A declaração foi feita em Brasília e representa uma mudança no posicionamento do senador, que anteriormente havia criticado a discussão da proposta durante o período eleitoral.
Segundo Flávio Bolsonaro, a redução da jornada de trabalho precisa ser acompanhada de medidas que impeçam o aumento das despesas dos empregadores, especialmente daqueles que já enfrentam dificuldades financeiras.
“O Flávio Bolsonaro vai votar a favor do fim da 6×1 e quem vai pagar essa conta vai ser o governo, porque os empresários estão sufocados, estão quebrados”, afirmou o parlamentar.
O que muda com o fim da escala 6×1?
A discussão sobre o fim da escala 6×1 ganhou espaço no Congresso Nacional e nas redes sociais, impulsionada por movimentos que defendem melhores condições de trabalho e mais tempo de descanso para os profissionais.
A proposta em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com a garantia de dois dias de descanso por semana, sem diminuição dos salários.
Atualmente, a legislação brasileira estabelece uma jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, permitindo diferentes formas de distribuição dos dias trabalhados, conforme as regras legais e os acordos aplicáveis.
Quem pagaria a conta da redução da jornada?
A principal condição defendida por Flávio Bolsonaro é que o governo federal ofereça uma compensação financeira às empresas para cobrir os custos adicionais decorrentes da mudança.
Na avaliação apresentada pelo senador, transferir integralmente essas despesas aos empregadores poderia aumentar a pressão financeira sobre os negócios.
Entretanto, Flávio não detalhou como essa compensação seria financiada, quais empresas poderiam receber os recursos ou qual seria o impacto da medida sobre o orçamento público.
Também não há, na declaração apresentada pelo parlamentar, indicação de que esse mecanismo já faça parte do texto da proposta em discussão.
Mudança de posicionamento
O anúncio chama atenção porque Flávio Bolsonaro já havia demonstrado resistência à discussão do fim da escala 6×1 durante o período eleitoral.
Agora, o senador afirma que votará favoravelmente à mudança, embora defenda a participação financeira do governo para reduzir os impactos sobre as empresas.
A discussão envolve trabalhadores, empregadores e o poder público, especialmente em relação à manutenção dos salários, aos custos operacionais e à organização das jornadas.
Proposta ainda depende de aprovação
O fim da escala 6×1 ainda depende da tramitação e aprovação das mudanças legislativas necessárias.
A manifestação de Flávio Bolsonaro representa uma declaração de intenção de voto e não significa que a nova jornada ou a compensação financeira às empresas já tenham sido aprovadas.
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